O diretor do Programa Global de AIDS da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Merson, disse ontem, em Brasília (DF), que o Brasil corre o risco de tornar-se uma nova África caso não consiga reverter o quadro atual da epidemia. Em alguns países africanos, um em cada três habitantes está infectado pelo vírus da AIDS. O Brasil precisa adotar medidas urgentes de combate à doença para evitar que a epidemia tome proporções catastróficas no futuro, alertou Merson durante palestra para técnicos da Saúde. Merson explicou que 13 milhões de pessoas estão contaminadas pelo vírus da AIDS no mundo. O número aumentará para 40 milhões de infectados até o ano 2000, quando 10 milhões de pessoas já estarão doentes. Em países da América, a situação também tem-se agravado. No Haiti, segundo o especialista, 10% da população está infectada. No Brasil, 425 mil pessoas estão infectadas, de acordo com a diretora do Programa de AIDS do Ministério da Saúde, Lair Guerra de Macedo. Merson acredita que o Brasil pode impedir a progressão da epidemia por meio do comprometimento do governo e da sociedade. Lair Guerra de Macedo garantiu que é possível reverter o quadro da epidemia da doença no Brasil em um prazo de três anos caso o governo garanta recursos necessários para execução dos projetos preventivos. A diretora espera assinar em julho contrato de financiamento de US$160 milhões com o Banco Mundial (BIRD) para um programa de AIDS a ser executado até 1996, mas o empréstimo depende de contrapartida de US$90 milhões do governo brasileiro. Os primeiros estudos para a utilização no Brasil dos testes de vacinas contra a AIDS começam em março. Lair Guerra informou que, a princípio, serão analisados o perfil e o comportamento da pessoa infectada em três cidades: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). O diretor da OMS disse que 12 vacinas estão sendo pesquisadas no mundo inteiro, com orientação da Organização (O ESP) (JB).