IMPACTO PRINCIPAL DO MERCOSUL É ECONÔMICO

A ligação dos países do MERCOSUL, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, se parece com a que existia entre as repúblicas que formavam a antiga União Soviética. A afirmação foi feita ontem pelo novo embaixador argentino no Brasil, Alieto Aldo Guadagni, que assume em 15 de março. "Mas o impacto do MERCOSUL não é comercial, e sim econômico", afirmou. Segundo ele, "o que se tem observado a respeito do MERCOSUL é um fato econômico muito importante, mais importante que o feito comercial: o florescimento de empresas mistas". Quando lhe perguntaram se o Brasil tem outra perspectiva econômica, já que no ano passado suas exportações chegaram a US$14 bilhões, enquanto a Argentina teve um déficit em sua balança comercial de US$2,5 bilhões, Guadagni respondeu que essas diferenças fazem parte do processo de política macroeconômica. Guadagni disse que o comércio bilateral cresceu nos últimos anos de US$1 bilhão para quase US$5 bilhões. Contudo, estima-se que a balança bilateral apresentará um déficit para a Argentina de US$1,4 bilhão devido a um grande volume de importações brasileiras para a Argentina. O Ministério da Economia da Argentina fez um levantamento, com base em notícias de jornais locais, do número de "joint ventures" entre empresas do Brasil e da Argentina, no período de janeiro a agosto do ano passado. Mais de 90 associações foram contabilizadas, o que demonstra "que o relacionamento entre os dois países adquiriu um novo patamar", disse o embaixador Rubens Barbosa, sub-secretário-geral de Integração, Assuntos Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty (GM).