Os 88 líderes e caciques dos índios caiapós que chegaram no último dia 15 a Brasília (DF) negam-se a deixar a capital enquanto o presidente Itamar Franco não assinar um decreto autorizando a exploração e comercialização da madeira, principalmente mogno, existente em seu território, ou, se isso for impossível, obrigando a FUNAI a pagar a cada uma das 16 aldeias caiapó US$50 mil mensais. Durante todo o dia de ontem, os caciques estiveram reunidos na FUNAI, com representantes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República, do Ministério do Meio Ambiente e com dirigentes de ONGs. Todos os esforços para fazê-los entender que a ação de madeireiras em suas terras é prejudicial, provocando devastação, foram inúteis. As grandes madeireiras estão evitando fazer contratos com os caiapós menos pela proibição legal de explorar riquezas de terras indígenas do que pela reação internacional. A principal fonte de lucros dessas madeireiras está na exportação e as organizações internacionais de meio ambiente e de defesa de povos indígenas têm pressionado intensamente os importadores internacionais que estão-se recusando a comprar madeira retirada de reservas indígenas (O ESP).