O governo federal autorizou ontem o Comando Militar do Norte a avaliar os conflitos provocados pela greve e a rebelião da Polícia Militar de Rondônia e a intervir para "garantir a ordem pública". A PM daquele estado, num movimento por melhores salários, se rebelou. O governador Oswaldo Piana afirmou ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, que a PM não mais obedece às suas ordens e às dos oficiais. Em ofício enviado ao ministro do Exército, general Zenildo Zoroastro, Corrêa afirma que para corrigir uma situação de "grave insubordinação hierárquica" o ministro do Exército, com base nos artigos 34, 36 e 142 da Constituição, que dispõem sobre o papel das Forças Armadas, avalie, em caráter de urgência máxima, o que o Comando Militar da região pode fazer para acabar com a rebelião. Os PMs estão reivindicando um reajuste salarial de 160% imediato e mais 40% retroativo a julho de 1990. O governo propôs aumento de 75% a partir de 1o. de fevereiro. Naquele dia, cerca de 200 mulheres ocuparam a sede do 1o. Batalhão da PM, agrediram um oficial e impediram seus maridos de trabalhadar. O movimento por melhores salários na PM começou há 15 dias, quando a Associação de Mulheres e Parentes de PMs inauguraram um acampamento na Praça Getúlio Vargas, em frente ao palácio do governo. Ontem pela manhã elas distribuíram um manifesto com mais de 300 assinaturas. O manifesto pede atenção do governador aos problemas dos PMs e anuncia que, não havendo negociação, as mulheres vão morrer em frente ao palácio (FSP).