ÍNDIO DENUNCIA FUNAI POR DESVIO DE RECURSOS

O principal cacique xavante, Aniceto Isudzanéré, denunciou, ontem, à Ouvidoria Geral da República, o desvio de recursos destinados aos mais de oito mil índios de sua aldeia. Segundo ele, os funcionários da FUNAI dos postos do Mato Grosso, mais especificamente de Barra do Garça e Xavantina, seriam os principais responsáveis pelo desaparecimento de boa parte do dinheiro remetido de Brasília, além do próprio presidente da FUNAI, Sidney Possuelo. O presidente reagiu às acusações. "Podem abrir uma CPI contra os atos da presidência da FUNAI. Estou com a consciência tranquila", disse. Um grupo de índios representantes de 16 aldeias Caiapó, do Sul do Pará, esteve ontem no Palácio do Planalto para pedir ao governo uma definição sobre a exploração de madeira em áreas indígenas. Mais de 600 toneladas de lixo de garimpagem estão abandonadas na reserva dos índios ianomâmis entre Amazônia e Roraima, na fronteira com a Venezuela. Composto de sucatas de motobombas, geradores, camburões, peças de reposição, ferramentas e até aviões, o lixo serve de reservatório para o desenvolvimento de larvas do mosquito transmissor da malária. A denúncia faz parte de um estudo do geólogo Nelson Joaquim Reis, da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). A conclusão do geólogo é de que qualquer plano de saúde visando a erradicação da malária na área indígena deve incluir a imediata retirada do lixo deixado pelos garimpeiros (JB).