LIVRO NEGA CONFRONTO NO CARANDIRU

Quase 90 dos 111 presos mortos durante o massacre promovido pela Polícia Militar de São Paulo, no dia dois de outubro de 92, no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, foram feridos no peito e na cabeça. É uma evidência de que os disparos tinham como alvo órgãos vitais. Além disso, 70% dos presos morreram atingidos pelas costas, o que põe em dúvida o confronto entre detentos e policiais. Revelações como estas estão no livro "A História de um Massacre", a primeira publicação a abordar o massacre no Carandiru, que será lançado em abril pela Editora Cortez, com o co-patrocínio da OAB. O livre foi escrito pelo presidente do Conselho Federal da Ordem, Marcelo Lavene`re, e pelo membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, João Benedito de Azevedo Marques. A conclusão dos dois é de que as tropas de choque da PM cometeram uma ação criminosa. "O massacre não tem precedente no mundo e foi fruto de uma operação planejada e executada cinco minutos antes", observa Azevedo Marques (JB).