Quatro das cinco empresas designadas pelo acordo aéreo bilateral para as rotas entre Brasil e EUA tiveram prejuízo em suas operações no ano passado nesse mercado. Juntas, VARIG, Transbrasil e United Airlines somaram resultados negativos em torno de US$80 milhões-- valor que aumenta com o resultado da VASP. A American lucrou no período. "Todas as companhias brasileiras estão operando esse mercado no vermelho; as norte-americanas eu não sei", contou o presidente da Comissão de Estudos Relativos à Navegação Aérea Internacional (Cernai), do Ministério da Aeronáutica, Renato Costa Pereira. Ele analisa que os prejuízos resultam do excesso de oferta de assentos. Com o objetivo de não agravar o problema, o governo brasileiro decidiu não distribuir as cinco frequências adicionais previstas para o último mês, de acordo com a revisão do acordo bilateral, em 1991. Hoje, das 56 frequências semanais já distribuídas, as empresas brasileiras operam 52 e as norte-americanas, 56. Costa Pereira explicou que o excesso de capacidade gera "uma prática tarifária indesejada": a guerra de tarifas faz com que as empresas pratiquem preços muito baixos, obrigando-as a tomar dinheiro "estranho à operação" para equilibrar as contas. O excesso de capacidade, argumenta, afeta mais as empresas nacionais do que as estrangeiras porque o mercado Brasil-EUA representa mais no faturamento das empresas nacionais do que no das norte-americanas. A participação no faturamento fica da seguinte forma: VARIG (19%), Transbrasil (27%), United Airlines (2%) e American (2,5%) (JB).