Prostitutas de vários estados querem a legalização da profissão no país. As brasileiras se inspiram em modelo de legalização existente na Holanda, no qual as prostitutas trabalham em sistema de autogestão. A profissionalização no Brasil é defendida por grupos e associações de prostitutas do Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Na Holanda, as prostitutas têm direito a aposentadoria e atendimento médico pelo governo. Elas administram as casas de prostituição e repartem o lucro, sem a intermediação de proprietários de bares ou boates. A polêmica proposta de legalização será discutida durante a Conferência Regional Latino-Americana e Caribenha sobre Violência e Escravidão Sexual de Mulheres e Crianças, que começa hoje em São Paulo. A proposta de profissionalização da prostituição enfrenta a resistência de entidades ligadas à Igreja, segundo Gabriela Silva Leite, da Rede Nacional de Prostitutas. "É uma pedra no sapato da Igreja, pois vai contra sua postura moral em relação ao sexo", diz. A psicóloga Marlene Agrisi, diretora do Serviço à Mulher Marginalizada, entidade que assessora prostitutas e próxima da Igreja, diz que a "sociedade não está preparada para aceitar a profissionalização porque as leis não são cumpridas em nosso país". Segundo ela, a Pastoral da Mulher Marginalizada e o Serviço da Mulher Marginalizada "não direcionam qualquer opinião sobre essa discussão" (FSP).