CONGRESSO NÃO DEVE CORRIGIR PROPORCIONALIDADE

Não há praticamente nenhuma chance de que a Câmara dos Deputados aprove uma emenda constitucional estabelecendo a proporcionalidade exata entre o eleitorado e as bancadas federais dos estados. A aplicação exata da proporcionalidade reduziria as bancadas de 22 estados-- que resistem à mudança-- e aumentaria a representação de apenas seis. O estado mais beneficiado seria São Paulo, que saltaria dos atuais 60 deputados para 112. Minas Gerais e Rio de Janeiro ganhariam quatro novas vagas. O Rio Grande do Sul seria beneficiado com três novos deputados e o Paraná e Santa Catarina aumentariam uma vaga em suas bancadas. As maiores perdas seriam dos estados da região Norte. Atualmente a região tem 65 deputados. Com a proporcionalidade, teria 39. Estados que hoje têm oito deputados, como Acre, Amapá e Roraima, teriam direito a eleger apenas um representante na Câmara. A adoção da proporcionalidade provocaria a redução da bancada de todos os estados do Nordeste. A representação da região cairia de 151 para 134 deputados. O mesmo aconteceria com o Centro-Oeste, que cairia de 41 para 31 deputados. Para aplicar a proporcionalidade, seria necessário aumentar apenas uma vaga na Câmara, que passaria a ter 504 deputados. Uma fórmula alternativa está em discussão. Esta fórmula seria a diminuição do número mínimo de deputados por estado de oito para três ou quatro. Os estados mais populosos teriam a representação ampliada, mas sem seguir a proporcionalidade exata em relação ao eleitorado. A proposta tem mais chances de passar, porque corta apenas as bancadas dos estados da região Norte (FSP).