SP TEM POPULAÇÃO DE 600 MIL MISERÁVEIS

Na maior e mais rica cidade do país vive uma população de 600 mil habitantes em extrema pobreza. Os homens representam 68% deles. Deslocam-se na maioria, bêbados e sem rumo pelas ruas de São Paulo (capital), doentes, famintos e, sem exceção, deprimidos a ponto de romperem todos os vínculos com o resto do mundo. Estão envergonhados, se escondem da família e dos amigos. Milhares dormem pelas ruas. Em apenas um local, a marquise de uma loja na Avenida do Estado, mais de 300 se abrigam todas as noites. Eles são jovens-- 92% têm menos de 40 anos-- e apenas 11% são analfabetos. A população de rua da cidade se abriga em 329 pontos de pernoite. Desses pontos, 198 ficam na região central. Há pelo menos outros três milhões de habitantes morando em subabitações coletivas e 4,5 milhões vivem em carência social. Esses dados foram recolhidos em janeiro por técnicos da Secretaria Municipal da Família e do Bem-Estar Social (FABES) e compõem o estudo Dualidade entre grandeza e pobreza - A base do equilíbrio do social e do
72385 econômico, que servirá de base para o programa de atuação da Secretaria. Segundo o estudo, da população de miseráveis da cidade, 87% já trabalharam com carteira assinada e 27% há menos de um ano faziam parte dos quadros de funcionários de empresas, devidamente registrados. Perderam tudo. Até os documentos. Vagam no limite entre o desemprego e a vadiagem. Muitos querem resgatar o orgulho e a responsabilidade e estão em busca de ajuda. Somente nos últimos 15 dias, 2.500 pessoas procuraram auxílio para conseguir documentos, fotos, carteira de trabalho ou passagens de volta para suas terras de origem no plantão da FABES. Ainda de acordo com a pesquisa, 28% da população de rua são do Estado de São Paulo e 14% são da própria cidade (O ESP).