DARLI SERÁ JULGADO POR ASSASSINATO NO PARANÁ

O fazendeiro Darli Alves da Silva, que cumpre pena de 19 anos de prisão pela morte do líder sindical e ecologista Chico Mendes, será julgado no dia 22 de março por um júri popular em Umuarama (PR). Darli é acusado da autoria de outro homicídio, ocorrido há 20 anos, do corretor de imóveis Acir Urizzi. Depois do crime, Darli fugiu para o Acre. Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988 em Xapuri (AC) por Darci Alves Pereira, filho de Darli, três meses após entregar às autoridades de segurança do Acre um pedido de prisão do fazendeiro, expedido pelo juiz de Umuarama. Na semana passada, Darli deixou a Prontoclínica de Rio Branco, onde passou oito dias internado para tratamento de úlcera. O advogado do fazendeiro, Rubens Lopes Torres, confirmou que Darli deverá ser julgado no dia 22 de março. "Mas tudo vai depender do estado de saúde dele", ponderou Torres. O Comitê Chico Mendes, integrado por várias entidades ligadas à defesa dos direitos humanos e preservação da floresta, tem criticado a morosidade da Justiça do Acre em atender o pedido de transferência. "Darli precisa ser julgado até agosto, sob pena de o crime prescrever", assinalou o secretário do Comitê Chico Mendes, Vladimir Nicácio. O Tribunal de Justiça do Paraná está interessado na transferência de Darli. O Comitê Chico Mendes e o Conselho Nacional dos Seringueiros estão envolvidos numa negociação sob o comando da advogada Maria José Urizzi, viúva do corretor de imóveis assassinado por Darli no Paraná. Maria José, que mora em Pimenta Bueno (RO), localizou na cidade o pistoleiro Osório, que assassinou o pai de Acir Urizzi, também em Umuarama, a mando de Darli. Como o crime já prescreveu, a viúva está tentando convecer o pistoleiro a depor contra Darli no julgamento (JB).