LUCENA RESPONDE À PROPOSTA DA CNBB

O presidente do Senado Federal e das sessões do Congresso Nacional, Humberto Lucena (PMDB-PR), reagiu ontem às críticas da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) aos parlamentares: "Bem ou mal é este o Congresso eleito pelo povo e que tem a atribuição constitucional de fazer a revisão da Constituição e de regulamentar a forma e o sistema de governo". Segundo o mais recente boletim da CNBB, a população passará um "cheque em branco" aos políticos no plebiscito de 21 de abril. A entidade sugeriu a realização de um referendo popular para aprovar o sistema de governo a ser regulamentado pelo Congresso, uma Casa considerada pela CNBB "fisiológica e clientelista". O presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), recusou-se a comentar o alerta e as críticas da CNBB. Já outros parlamentares apoiaram a sugestão feita pela CNBB. Para o deputado José Genoíno (PT-SP), a análise da CNBB de que o plebiscito corre riscos com episódios como a eleição de Inocêncio para a Presidência da Câmara é equivocada. "A CNBB tem razão em parte. Mas se esqueceu de um ponto fundamental: no parlamentarismo, a Câmara pode ser dissolvida. Assim, os deputados ficam obrigados a tomar mais cuidado porque podem voltar para casa mais cedo", afirmou. O senador Jarbas Passarinho (PDS-PA), por sua vez, considerou justo o argumento da CNBB, reconhecendo que o povo votará sem saber qual o tipo de sistema a ser implantado (O Globo).