ENTIDADES VÃO PRESSIONAR O SENADO CONTRA O IPMF

Ato público realizado ontem em São Paulo decidiu que empresários e líderes sindicais vão pressionar juntos o Senado Federal com o objetivo de impedir a aprovação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira), o imposto sobre chques. Foi também lançado o "Movimento Nacional Permanente por uma Reforma Fiscal Ampla". A manifestação reuniu cerca de 1.500 representantes de mais de 500 entidades da sociedade civil. O distanciamento da classe política com a sociedade também foi alvo dos ataques. Os 22 oradores provocaram manifestações inflamadas da platéia, com discursos que procuravam demonstrar que o IPMF, caso seja aprovado, não deverá proporcionar os resultados esperados e contribuirá para agravar a crise econômica do país. O ato reuniu, entre outros, o prefeito Paulo Maluf (PDS), empresários e industriais das federações do comércio e da indústria, banqueiros e representantes das centrais sindicais. O presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse que a manifestação demonstra o "grau de frustração e perplexidade do empresariado e dos trabalhadores quando em vez de uma reforma tributária e um verdadeiro ajuste fiscal aprova-se a criação de mais um imposto". O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, defendeu uma reforma tributária e fiscal ampla, a exemplo da maior parte dos discursos do empresariado. O secretário-geral da CUT, Gilmar Carneiro, atacou a criação do novo imposto, mas também criticou a atual situação econômica e social do país. "Esta é uma manifestação de todo o Brasil contra a inflação, o desemprego, a violência, a sonegação e os aumentos abusivos de preços", afirmou. O presidente da CGT, Canindé Pegado, disse que precisamos dar um basta a este ajuste. O governo engana o povo com
72349 índices falsos. Em Brasília, o presidente Itamar Franco prometeu enviar, hoje, uma medida provisória ao Congresso Nacional revogando artigos da Lei 8.200, de 28 de junho de 1991, que reduz, desde o ano passado, e até 1996, o Imposto de Renda pago por grandes empresas. A medida foi recebida como uma represália do governo à oposição ao IPMF. A Lei 8.200 foi baixada para compensar as empresas pela diferença de 104% entre a correção monetária oficial e a inflação de 1990 e era combatida pelos governos estaduais. A Lei 8.200 determinou uma troca no índice de correção dos balanços que permitia às empresas tranformar lucros em prejuízo. Aprovado o IPMF, o governo espera arrecadar cerca de US$7 bilhões por ano. Mantida a Lei 8.200, o Tesouro Nacional terá uma perda de cerca de US$13 bilhões em quatro anos, calculam os governadores. O fim do privilégio fiscal das grandes empresas favorece os estados, que perderiam um grande volume de recursos por causa da redução dos repasses do Fundo de Participação. Desde que assumiu a Presidência, Itamar editou quatro medidas provisórias: criou a Secretaria de Projetos Educacionais, fez a reforma administrativa, repassou recursos ao Lloyd e disciplinou o pagamento de vantagens para o funcionalismo público. O presidente Itamar Franco acusou setores que participam da campanha contra o IPMF de ter interesse no prolongamento da crise econômica. "Parte dessa gente quer manter o país na recessão e no desemprego", afirmou. Esperamos que amanhã eles venham respeitar qualquer manifestação contra
72349 empresários gananciosos, disse (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).