A Guarda Nacional venezuelana prendeu no último dia oito 47 garimpeiros brasileiros nas cabeceiras do Rio Cauaburis, perto do Parque Nacional do Pico da Neblina. Os brasileiros-- 45 homens e duas mulheres, uma das quais grávida-- foram removidos para o distrito de Ayacucho, a 500 km da fronteira brasileira, e estão retidos na penitenciária estadual venezuelana. Quando se trata de brasileiros retidos no aeroporto de Lisboa, o Itamaraty
72336 faz o maior escândalo, protestou o delegado nacional da União dos Sindicatos e Associações de Garimpeiros da Amazônia Legal (USAGAL), José Altino Machado. "Como neste caso são garimpeiros, pouco importa que estejam em condições subumanas numa penitenciária venezuelana", comentou, afirmando que a prisão foi ilegal e em território brasileiro. Machado denunciou ontem em Brasília (DF) a prisão dos garimpeiros ao embaixador Fernando Fontoura, chefe da Divisão Consular do Itamaraty, que informou já ter providenciado o deslocamento de um conselheiro da embaixada do Brasil em Caracas para Porto Ayacucho, levando roupas e alimentação. O governo marcou para o próximo dia 25 o início da operação "Selva Livre", para retirada de cerca de nove mil garimpeiros da reserva indígena ianomâmi. A operação vai custar Cr$29,5 bilhões e envolverá a Aeronáutica, o Exército, a FUNAI e a Polícia Federal (JB).