Num encarte de seu último boletim semanal, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) alerta para o perigo de se passar "um cheque em branco" para os políticos, caso haja uma manifestação incondicional do eleitorado no plebiscito de 21 de abril. A CNBB sugere a realização de um referendo popular, para aprovar a regulamentação da forma e sistema de governo vitoriosos no plebiscito: "A regulamentação decorrente da manifestação plebiscitária não pode ser deferida incondicionalmente ao Congresso". Segundo a CNBB, as propostas apresentadas pelas frentes parlamentarista e presidencialista não esclarecem diversos pontos, o que só aconteceria depois de feita a consulta ao eleitorado. Para a CNBB, o pano de fundo do atual debate sobre forma e sistema de governo é "a cultura política ainda fundada no fisiologismo clientelista", que "presidiu o reposicionamento de atores políticos importantes que jogarão papel decisivo na reforma (a rearticulação do Centrão, na recente eleição da mesa da Câmara), regulamentando o resultado do plebiscito e dirigindo a revisão constitucional". Preocupada com a desinformação dos fiéis e com o pouco tempo para a campanha até o plebiscito, a CNBB resolveu estimular o debate. A partir de agora, todos os números do Boletim Semanal da entidade incluirão um encarte exclusivo com reflexões sobre o tema. "Não temos nenhum interesse em que a escolha seja por A ou B, mas queremos que o povo tenha conhecimento de causa", afirmou dom Francisco Austregésilo Athayde (O Globo).