O presidente do BIRD (Banco Mundial), Lewis Preston, acha que é hora de os governos da América Latina pararem de comemorar o recente alívio da dívida externa, e o fato de terem sido investidos US$60 bilhões na região no ano passado. Isso, disse ele, dá uma sensação de êxito. Mas trata-se de algo passageiro. "O caminho da recessão à recuperação foi longo, mas a parte mais difícil está adiante: reduzir a pobreza continua sendo o problema mais importante", afirmou. Preston chamou a atenção para isso ao abrir, em Washington (EUA), o seminário "Reforma Social e Pobreza", promovido pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que conta com a presença de dois ministros brasileiros: Jamil Haddad, da Saúde, e Walter Barelli, do Trabalho. Preston sugeriu aos governos latino-americanos uma redução dos gastos militares, "e outros gastos não produtivos", como uma primeira medida para obter fundos para aplicar em programas de nutrição, saúde e educação. Ele disse que a renda per capita diminuiu 10% nos anos 80 na América Latina; uma quarta parte da população sobrevive com menos de US$2 por dia; e 10 milhões de crianças sofrem de desnutrição. Os gastos do setor público estão entre 25% e 30% do PIB (Produto Interno Bruto), mas os pobres só recebem o equivalente a 4% do PIB. Durante encontro com o presidente do BID, Enrique Iglesias, o ministro Walter Barelli propôs a criação de um fundo do BID que estimule cooperativas para absorver funcionários demitidos de estatais brasileiras privatizadas ou enxugadas. A partir da criação de um fundo, semelhante ao que o banco fez com US$22 milhões para pequenos projetos de meio ambiente, seria estimulada a formação de cooperativas de trabalho. Nessas pequenas empresas populares seriam reciclados os funcionários demitidos (O Globo) (GM).