O FMI (Fundo Monetário Internacional) quer que o governo brasileiro promova um "choque fiscal" para criar, ainda este ano, um superávit nas contas públicas de cerca de US$24 bilhões. Esta proposta do FMI, repassada inicialmente para as missões técnicas brasileiras, foi reforçada durante o encontro do ministro da Fazenda, Paulo Haddad, com o diretor gerente do Fundo, Michel Camdessus, no último dia nove, em Washington (EUA), e ontem com o presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Enrique Iglesias. Caso a orientação do Fundo fosse seguida à risca, o presidente Itamar Franco seria obrigado a concordar com um corte brutal nas despesas-- "a extinção de todos os subsídios e incentivos, inclusive os regionais, e o agravamento da recessão", informou ontem um interlocutor da equipe econômica. Haddad rechaçou a proposta, mesmo diante da ponderação do FMI de que o "choque fiscal" é a alternativa para o equilíbrio das contas públicas. O ministro e seus assessores não concordam que o ajuste das contas seja processado com o fim dos investimentos públicos e agravamento da recessão. O ministro da Fazenda disse que o novo acordo para negociação da dívida com o FMI poderá estar pronto "em meados de maio". Segundo Haddad, o plano de estabilização econômica exigido pelo Fundo não provocará, no entanto, recessão e buscará uma retomada seletiva do crescimento para não prejudicar o combate à inflação (O ESP) (JB).