ESTATAIS INVESTEM ABAIXO DA META

Faltou dinheiro para as empresas estatais completarem seus programas de investimento no ano passado. O conjunto de estatais tinha autorização para investir até Cr$50,47 trilhões em 1992, mas a frustração de receitas, associada à superestimativa dos seus planos de investimento, fez com que a realização desses projetos chegasse a apenas 76,43% do autorizado (Cr$38,58 trilhões), através do orçamento de investimento aprovado pelo Congresso Nacional. Os índices mais baixos de execução orçamentária ficaram por conta das empresas de menor porte, sobretudo dependentes de recursos do Tesouro Nacional. Os recursos para aumento do patrimônio líquido, aportados pelo Tesouro Nacional, que deveriam atingir Cr$2,2 trilhões, pelo orçamento de investimentos, acabaram restritos a Cr$933 bilhões, ou 41,72% do autorizado. As operações de crédito, que tinham aprovação para chegar a Cr$9 trilhões, estacionaram em Cr$4 trilhões. Os melhores desempenhos foram das empresas de grande porte, como PETROBRÁS-- que ultrapassou em 2,6% os investimentos inicialmente autorizados (investimentos de Cr$10,5 trilhões); a TELEBRÁS, que atingiu 98,3% (Cr$14,4 trilhões). Já o sistema ELETROBRÁS teve recursos para executar 78,7% (Cr$7,8 trilhões) enquanto instituições com dificuldades financeiras, como a CEF e o BASA limitaram-se a investir 9,8% e 10,4% do limite autorizado, respectivamente. Para este ano, o diretor do Departamento de Coordenação das Empresas Estatais do Ministério do Planejamento, José Ribas Neto, prevê que o problema da frustração de receitas ainda será mais acentuado, pois todo o orçamento de investimentos elaborado em abril de 92 e, hoje, no Congresso Nacional à espera de aprovação, foi feito com base numa política tarifária que previa reajuste real de 17% na média, sobre os preços do ano anterior (91). Essa política foi interrompida em outubro do ano passado, com a troca de presidente da República (GM).