A RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

O ministro da Fazenda, Paulo Haddad, decide hoje, em Washington (EUA), com o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Michel Camdessus, se o Brasil poderá manter o atual acordo renegociando as metas para a economia brasileira, sem necessidade de uma nova carta de intenção. A expectativa do ministro é obter até o fim de março a nova versão do acordo da dívida externa. O ministro quer, porém, que o acordo tenha por base um programa que compatibilize a retomada do crescimento econômico com um combate mais firme à inflação. Haddad recebeu indicações do representante brasileiro no Fundo, Alexandre Kafka, que a renegociação será difícil. No relato ao ministro sobre a rodada de apresentação do acordo da dívida aos bancos credores, concluída na semana passada, o negociador da dívida externa brasileira, Pedro Malan, disse que os "par-bonds" (bônus ao par) têm a franca preferência dos banqueiros. Esses títulos, uma das opções oferecidas pelo governo brasileiro para pagamento da dívida, não incluem qualquer desconto, mas oferecem juros fixos crescentes, começando em 4% no primeiro ano até chegar a 7% nos últimos anos. Apesar da preferência, o governo considera indesejável a concentração de credores no "par-bond", em detrimento a outras opções de pagamento que permitem o desconto imediato de até 35% no valor da dívida, com juros de mercado. Pedro Malan conversou com 100 banqueiros no Japão, cerca de 200 na França e outros tantos na Inglaterra. Dos quase 250 bancos que concentram 90% da dívida externa com credores privados, Malan acredita ter falado com "quase todos". Sempre acompanhado de executivos do FMI, Banco Mundial (BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que fizeram explanações sobre a dívida brasileira, Malan garante ter obtido uma "boa receptividade". O país precisará, agora, da ajuda do comitê assessor dos bancos credores (os maiores credores, com quem foi negociado o acordo), porém, para garantir uma distribuição balanceada do cardápio de pagamento da dívida (O Globo) (JB).