O governo anunciou ontem que a CEF (Caixa Econômica Federal) vai começar a liberar, na primeira quinzena de março, financiamentos para a construção de casas populares. O anúncio foi feito pelo presidente da CEF, Danilo de Castro, após reunião com o presidente Itamar Franco. O montante que se pretende liberar numa primeira fase será de Cr$3 trilhões. O dinheiro sairá do FDS (Fundo de Desenvolvimento Social), que tem como fonte de recursos o "fundão". Poderão se candidatar ao financiamento, neste caso, famílias com renda mendal entre três e sete salários-mínimos (Cr$3.752.100,00 a Cr$8,7 milhões). Danilo de Castro informou que o teto máximo do financiamento desse primeiro conjunto de casas será de cerca de Cr$115 milhões. Segundo ele, o objetivo do governo é beneficiar 60 mil famílias. O financiamento será destinado exclusivamente à construção em lotes próprios, sem intermediação de empreiteiras. O valor máximo de avaliação do imóvel-- preço do lote mais custos de construção-- não poderá ultrapassar Cr$288 milhões. As prestações, segundo Danilo, só serão aumentadas na proporção dos reajustes salariais de cada mutuário. O prazo de financiamento é de 25 anos. A CEF fornecerá os projetos das casas a partir de modelos já elaborados. Camilo de Castro informou também que a CEF pretende baixar o seguro habitacional que é cobrado dos mutuários do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), para reduzir a prestação da casa própria. Este seguro, atualmente em 15% do valor da prestação, poderá ser diminuído, segundo estudos da Caixa, para 8%. Numa prestação de Cr$4 milhões, por exemplo, isso significaria uma economia de Cr$280 mil para o mutuário. As medidas compõem o chamado plano de combate à miséria do governo Itamar (FSP) (O Globo).