A tática de deixar para votar o Orçamento Geral da União na última hora vem garantindo a um pequeno grupo de parlamentares o controle da maioria das verbas destinadas aos estados e municípios. Uma prova disso foi dada pelo deputado Mussa Demis (PFL-PI), o encarregado de ser relator de todas as verbas do Ministério da Integração Regional. O parlamentar levou seu relatório quando faltava apenas uma hora para o encerramento da entrega das emendas. O resultado foi que o deputado José Geraldo de Oliveira (PMDB-MG), considerado o mais influente na Câmara quando o assunto é orçamento, conseguiu, com uma só emenda, verba que equivale hoje a US$30 milhões para uma estrada em Minas Gerais. Mussa Demis também levou vantagem: praticamente a metade de todo o orçamento da Integração Regional para o Nordeste ficou com o Piauí. Os relatores e sub-relatores do Orçamento garantem a maior fatia do dinheiro para seus estados. O deputado Felipe Nery (PMDB-MG) conseguiu, na condição de sub-relator das operações de encargos financeiros da União, aprovar 17 emendas no valor de US$22 milhões. Uma das emendas de Nery assegurou quase US$20 milhões para financiamento aos agricultores. O deputado Eraldo Tinoco (PFL-BA) também aprovou, na condição de relator dos recursos do Ministério da Educação, um total de US$21 milhões em emendas. A maioria para a Bahia (O ESP).