EUA ACUSAM BRASIL DE VIOLAR DIREITOS HUMANOS

O governo norte-americano acusou o Brasil de violar uma série de direitos fundamentais do indivíduo, em relatório detalhado sobre direitos humanos. Autoridades e policiais são acusados de cooperar com assassinos e a Justiça é considerada Ineficiente", obsoleta e às vezes conivente com criminosos. A violência contra menores é generalizada, diz o documento, que também aponta a existência de racismo no Brasil. O texto tem 15 páginas e foi elaborado pelo Departamento de Estado, o Ministério das Relações Exteriores dos EUA. São relacionados vários episódios, com nomes e datas, ocorridos no período de janeiro a dezembro do ano passado. O texto tem especial importância neste ano. Está programada uma conferência sobre direitos humanos, organizada pela ONU, na Áustria. O Brasil corre o risco de ser um dos focos de atenção. Entre os vários exemplos de desrespeito são citados o massacre de presos do Carandiru, em São Paulo, e a expulsão de meninos de rua, no Rio de Janeiro, durante a Rio-92. É um dos textos mais amplos e detalhados sobre os direitos humanos no Brasil já produzidos no exterior. Dando nomes de vítimas, trata da escravidão de meninas na Amazônia, da violência contra mulheres, do trabalho escravo, da tortura, da situação dos presídios e da invasão das terras dos ianomami, entre outros assuntos. Há registros até dos carecas que atacaram nordestinos em São Paulo. Segundo o texto, a violência dissemina-se pelo Brasil, e o principal problema dos direitos humanos são os assassinatos. "Casos de violação de direitos humanos em geral não são investigados nem geram inquéritos com resultados efetivos", afirma. O Departamento de Estado, baseado em relatórios de movimentos de direitos humanos, afirma que milhares de pessoas morrem por ano nas mãos de fazendeiros, pistoleiros e grupos de extermínio. Policiais, segundo o documento, matam crianças, adolescentes e adultos suspeitos de delinquência. Esses policiais seriam protegidos por instâncias mais altas, inclusive no Poder Judiciário. O Palácio do Planalto, o Ministério da Justiça e o Itamaraty não se pronunciaram sobre o relatório norte-americano. O Itamaraty disse que se trata de um documento interno, sem repercussões oficiais. O Ministério das Relações Exteriores procucou minimizar a importância do relatório, informando que as principais fontes de informações são documentos produzidos no Brasil-- como o relatório da CPI do Menor (FSP).