Apesar de ter o terceiro maior superávit do planeta e o oitavo PIB (Produto Interno Bruto) do Ocidente, o Brasil expulsa 70% de sua população economicamente ativa do processo produtivo, por não ser capaz de lhes proporcionar um bom nível educacional. Apenas 12% dos brasileiros estão preparados para produzir em uma sociedade tecnologicamente moderna. Os dados são da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), que aponta o Brasil como "um dos países mais viáveis do mundo", mas reconhece que nenhuma economia pode estabilizar-se com tais desequilíbrios estruturais da sociedade. De acordo com o relatório, o Brasil está situado entre os piores países no que se refere aos indicadores sociais. Em termos de renda per capita, o país ocupa o 38o. lugar, abaixo de países como Irã, Trinidad e Tobago, Omã, Líbia e Grécia. Em educação, o Brasil ocupa o 74o. lugar, numa lista de 120 países classificados pelo BIRD (Banco Mundial), ficando abaixo de Madagáscar, Gana, Indonésia, Zimbábue, Tunísia, Malásia, Zaire e Egito. São totalmente analfabetos 18% dos brasileiros. Outros 15% têm o primeiro grau completo, mas não possuem preparo específico, enquanto 35% são alfabetizados, com o primeiro grau incompleto. Há 20% classificados como analfabetos funcionais (que se alfabetizaram, mas não têm preparo escolar). Em outra amostragem, a FAO informa que o conjunto de 70% da população expulsa do processo produtivo é formado por 30% que não trabalham, 28% subempregados e 18% desempregados. Os outros 30% da população estão devidamente integrados no mercado formal de trabalho (com carteira assinada). Cada trabalhador brasileiro sustentaria quatro pessoas, enquanto nas economias mais equilibradas essa proporção é de um para um. O Brasil tem um dualismo básico, aponta o estudo. Está dividido entre uma minoria da sociedade que opera um parque industrial e tecnológico
72265 moderno, com renda per capita da ordem de US$4 mil, e por outra sociedade,
72265 representada pela maioria dos brasileiros, que opera uma economia
72265 primitiva, com renda per capita inferior a US$400,00. Em total contraste com sua situação social, o país tem um moderno e bem integrado parque industrial, recursos naturais abundantes e grandeza geográfica, salienta o relatório. Está classificado como o quarto do mundo em território, o quinto em população e o nono em exportação. Em matéria de distribuição de renda, no entanto, o Brasil fica entre os de pior situação, com os 60% mais pobres tendo participação de apenas 15,1% na renda nacional, enquanto os 10% mais ricos abocanham 46,8% da renda. O relatório ressalta que 1% dos ricos detêm 17,3% da renda nacional. As famílias em estado de miséria, com renda per capita igual ou inferior a um quarto do salário-mínimo (Cr$312.675,00), representam 15% da faixa de pobreza absoluta, classificada pela FAO como aquela que tem renda até meio salário-mínimo (Cr$625.350,00). Essas famílias em estado de miséria representam também entre 35% e 65% dos brasileiros com renda per capita até um salário-mínimo (Cr$1.250.700,00). A remuneração do trabalho também é apontada como muito desigual pela FAO, na medida em que 27% dos trabalhadores ganham salário igual ou inferior ao salário-mínimo. Outros 21% têm renda mensal entre um e dois salários-mínimos (Cr$2,5 milhões). Esses indicadores significam que quase a metade dos trabalhadores brasileiros recebem salário inferior a dois mínimos (O ESP).