ESTUDO DIZ QUE MULHERES SÓ TERÃO DIREITOS IGUAIS EM 475 ANOS

Quatrocentos e setenta e cinco anos serão necessários para que as mulheres alcancem a igualdade com os homens nas esferas superiores de decisão política e econômica caso se mantenha o ritmo atual de incorporação da mão-de-obra feminina nos cargos de direção. É o que informa um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado ontem em Genebra. Segundo o estudo, na maioria dos países as mulheres ocupam uma pequena parcela dos postos elevados das empresas (entre 10% e 30%), números que despenca para menos de 5% se forem considerados os cargos de maior responsabilidade. Hoje, apenas seis dos 179 Estados das Nações Unidas estão governados por
72230 uma mulher. Enquanto as mulheres ocupam 3,5% dos gabinetes ministeriais, 93
72230 países só têm homens à frente de seus ministérios, afirma a autora do estudo, a chilena Maria Angélica Ducci. A maioria das mulheres que têm cargos no governo, acrescenta Ducci, ocupa as áreas de Educação, Cultura, Bem-estar Social e Assuntos da Mulher. Estes são os campos de ação mais comumente aceitos para que uma mulher desempenhe um cargo "por serem considerados uma extensão das tradicionais responsabiliades que, em todos os cantos do planeta, a mulher assume no seio da família". Regionalmente, o relatório da OIT afirma que a América Latina teve, na década de 80, o mais alto índice (20%) de mulheres em cargos administrativos e postos intermediários de direção, principalmente no setor público. Considerando-se os países industrializados, a porcentagem de mulheres gerentes de empresa é mais elevada na América do Norte e Europa setentrional, e mais baixo na Austrália, Japão, Nova Zelândia e Sul da Europa Ocidental. Nos EUA, por exemplo, as mulheres constituem 41% dos diretores e administradores de nível médio, mas só 11% de nível superior e não mais de 3% da direção-geral das grandes empresas do setor privado. Na Alemanha, apenas 1,5% dos grandes chefes da indústria são mulheres. O estudo da OIT conclui que "ao passo que vamos a dita igualdade feminina só poderá ter uma resposta dentro de cinco séculos" (JB).