CÂMARA TAMBÉM QUER PRESIDIR A REVISÃO CONSTITUCIONAL

Dois dias depois de tomar posse, o presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), abriu uma crise com o Senado Federal. Inocêncio disse que não aceita a intenção do presidente do Senado, Humberto Lucena (PMDB-PB), de presidir a revisão constitucional, em outubro próximo. "A Câmara não abre mão da direção da revisão constitucional. Se o Senado quiser o cargo, terá que disputar no voto", desafiou Inocêncio. O presidente da Câmara também acusou o Senado de ter gasto demais com seu programa de informatização. Lucena respondeu imediatamente ao ataque: "A Constituição diz que a revisão será feita pelo Congresso Nacional. Ao que eu saiba, não há outro presidente do Congresso além de mim". Inocêncio disse que não vai disputar pessoalmente a presidência da revisão constitucional, mas que pretende apoiar um deputado. Avisou, ainda, que vai "consultar juristas" para definir a ação da Câmara na disputa. Quanto aos gastos com informatização, o deputado Inocêncio disse que o Senado gastou US$14 milhões em seu projeto, enquanto a Câmara gastou apenas US$200 mil. O senador Lucena contestou os números, dizendo que o projeto do Senado teve um custo de US$150 mil (FSP).