SINDICALISMO PODE INIBIR O MERCOSUL

A pressão sindical nos países do MERCOSUL pode pôr em risco a integração sub-regional que deveria formalizar-se a partir de 1o. de janeiro de 1995, de acordo com análise de uma firma de consultoria internacional. Um estudo da Aim-Burke International Research Corporation, divulgado ontem, adverte que quando os governos do MERCOSUL tiverem de tomar decisões importantes em finais de 1993, princípios de 1994, a pressão das organizações sindicais pode aumentar e criar dificuldades. Nessa altura, "não é de afastar-se a possibilidade de que as pressões dos sindicatos dos países signatários do tratado e as urgências econômicas dos seus governos possam desvituar ainda mais os seus objetivos", afirma o estudo. Em dezembro do ano passado, delegados das centrais sindicais da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai tentaram, sem êxito, entrevistar-se com os presidentes do MERCOSUL, reunidos a 28 daquele mês na capital uruguaia. Por falta de tempo, os mandatários declinaram de receber os sindicalistas que manifestaram o seu descontentamento, dando conta de imediato das suas exigências, num documento que prepararam ao longo de vários meses. As centrais reclamaram aos governos dos quatro países-membros o desenvolvimento de políticas sociais destinadas a melhorar as condições de vida na sub-região. Advertiram, além disso, que, se durante as negociações do MERCOSUL a prioridade for dada aos aspectos comerciais, é bem possível que aumente o desemprego. Por isso, consideraram necessário que os governos elaborem políticas sociais de promoção do emprego e formação profissional, assim como de proteção aos setores de menores recursos e mais afetados. Ao ser dada prioridade aos aspectos comerciais e adotar-se como fio
72213 condutor o aumento da competitividade empresarial, tendem a crescer o
72213 desemprego, a marginalização de significativos setores sociais e a
72213 deteriorar-se ainda mais os salários e as condições de trabalho, assinalaram as centrais (JC).