DIPLOMATA ACUSA FUNAI E PF DE CORRUPCÃO

O diplomata Fernando Leite Ribeiro, designado para ser o novo embaixador do Brasil na Venezuela, surpreendeu ontem a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal ao acusar as Forças Armadas dos dois países, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e a Polícia Federal de serem os principais responsáveis e os maiores interessados em manter um clima de conflito permanente na fronteira. Sem perceber que a sessão, na qual foi sabatinado para o cargo, era aberta, o embaixador afirmou saber, por uma "fonte extremamente confiável", que a FUNAI e agentes da PF são corruptos e lucram com as tensões na fronteira. Segundo ele, "são muitos os interessados no conflito: "A estrutura corrupta da FUNAI, os corruptos agentes da PF que recebem 20 gramas de ouro por cada "violeta" (avião pequeno) que levanta vôo". O embaixador continuou: "O conflito interessa às Forças Armadas do Brasil e da Venezuela, que parecem querer se preparar para uma guerra imaginária já que não existe mais o inimigo do Sul". Interessa ainda", acrescentou Leite Ribeiro, "aos lobistas que controlam os garimpeiros dos dois lados da fronteira". E concluiu: "Com isso, a ação diplomática fica muito difícil e perigosa; temos que desviar o assunto da área política para a econômica, terminar a estrada que liga Roraima à fronteira com a Venezuela, mas as resistências contra isso são grandes". Os conflitos entre o Brasil e a Venezuela, provocados pela falta de definição da fronteira entre os dois países e pelas atividades ilegais de garimpeiros brasileiros, se arrastam há mais de 50 anos. O impasse se agravou em janeiro do ano passado, quando o governo venezuelano desistiu de buscar uma solução negociada e desencadeou uma ofensiva para intimidar os garimpeiros brasileiros. Além de prender e manter incomunicáveis um grupo de garimpeiros que trabalhava naquele país, a Guarda Nacional venezuelana metralhou um avião, que transportava cinco brasileiros. O piloto e um garimpeiro morreram. A ocupação do território venezuelano por garimpeiros brasileiros começou na década de 40, quando a atividade mineradora se expandiu na região amazônica. A` época, a indefinição da fronteira entre os dois países facilitava a invasão da Venezuela. A fronteira só foi demarcada em 1973, depois de quase 100 anos de negociação, mas até hoje o traçado do mapa gera polêmica. Preocupados com o crescimento de garimpos na região, principalmente com a expansão de Serra Pelada, o governo venezuelano tentou negociar com o Brasil, no início da década de 80, a demarcação da fronteira. A falta de definição das autoridades brasileiras fez com que a Venezuela instalasse um quartel na serra de Parima-- rica em minérios. A invasão do território venezuelano por garimpeiros brasileiros se intensificou em 1991, quando o governo do ex-presidente Fernando Collor desencadeou a operação "Selva Livre", para acabar com a exploração na área ianomâmi (O ESP).