INDÚSTRIA PODE VOLTAR A PRODUZIR O FUSCA NO PAÍS

A idéia do presidente Itamar Franco de discutir a produção de um carro popular acirrou a disputa entre as montadoras de veículos. Ontem, Pierre- Alain de Smedt, presidente da Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen), disse ao presidente que a empresa está disposta a voltar a produzir o Fusca, como sugeriu Itamar. A Autolatina quer a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o Fusca, que chegaria ao mercado custando US$7 mil (Cr$110 milhões), sem o tributo. A medida criaria entre 800 e um mil empregos. A Fiat reagiu. Também informou a Itamar que pode produzir o Uno Mille por US$6,3 mil (Cr$99 milhões), se o carro ficasse isento do IPI. A notícia da volta do Fusca foi bem recebida pelo presidente Itamar, que prometeu uma resposta rápida para o pedido de isenção. O desenvolvimento de carros nacionais com menos de mil cilindradas, com preços mais baixos, e a fixação de metas quadrimestrais de empregos, salários e produção são os principais pontos da proposta de acordo para o setor automobilístico apresentada ontem ao presidente Itamar pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP), Vicente Paulo da Silva, o "Vicentinho". Os trabalhadores querem que a produção brasileira passe de 1,07 milhão de veículos, números de 1992, para 1,3 milhão neste ano e atinja 1,58 milhão em 1994. Pela proposta, o número de empregados das montadoras, hoje de 95 mil, chegaria, em dezembro de 94, a 140 mil. Os salários teriam reajustes mensais de 1,5% acima da inflação e o IPI sofreria redução gradual (O ESP).