POBREZA AUMENTA CONFORME A REGIÃO

O impacto do custo de vida no bolso dos pobres pode ser ainda maior dependendo da região em que ele resida. Estudo de Sônia Rocha, diretora do IBGE-RJ, revela que quem ganha salário-mínimo em São Paulo (SP), por exemplo, é 50% mais pobre do que quem ganha o mesmo mínimo em Curitiba (PR). Dentro das regiões metropolitanas, além da inflação pesar mais no bolso do pobre, ela sobrecarrega ainda mais este mesmo pobre se ele residir em São Paulo, Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) ou Salvador (BA). Nestas áreas metropolitanas, segundo a pesquisa feita em 1990, para uma pessoa suprir as necessidades básicas de sobrevivência e situar-se acima da linha de pobreza no país, um salário-mínimo à época não bastava. Na última década, a situação agravou-se, principalmente de 1989 para 1990. Em Fortaleza (CE), por exemplo, em 1981 uma pessoa precisava pouco além de meio salário-mínimo (0,59) para ficar acima da linha da pobreza absoluta. Este quadro manteve certa estabilidade, sendo que em 1986 ele gastava menos (0,49) para a mesma situação. Mas em 1989 já se precisava de muito mais (0,85) e em 1990 houve um aumento sensível na linha de pobreza e um salário-mínimo já não bastava (1,22). Em todas as nove regiões pesquisadas houve o pulo, sendo que em cinco um salário já era insuficiente. Ficam patentes os diferenciais de custo de vida entre as metrópoles, que
72163 chegaram a 50%. Enquanto São Paulo e Belém apresentavam custo de vida
72163 para os pobres relativamente elevados, Curitiba e Fortaleza têm custos
72163 mais baixos. O que determina isso é um conjunto de causas, não havendo
72163 vinculação direta com tamanho populacional ou localização de cada
72163 metrópole, diz Sônia Rocha (JB).