A AIDS está custando à economia mundial algo em torno de US$55 bilhões anuais, de acordo com estimativas apresentadas ontem por Michael Merson, diretor do Programa Global sobre AIDS da Organização Mundial de Saúde (OMS). Merson está em Davos (Suíça) para tentar convencer os cerca de 800 megaempresários de todo o mundo reunidos no Fórum Econômico Mundial a investir pesado e urgentemente na prevenção da doença, "para evitar enormes custos sociais e financeiros mais tarde", conforme disse. O representante da OMS diz que o custo direto da AIDS (tratamento médico mais seguridade social) absorve US$4 bilhões ao ano. Mas os custos indiretos tendem a ser 10 vezes superiores (ou US$50 bilhões), na forma de perda de produtividade do doente e familiares, custo de treinar trabalhadores para substituir os que morrem ou ficam incapacitados no auge da capacidade de trabalho, como é corrente com aidéticos, e demais gastos relacionados com a doença. Merson quer que o mundo invista US$2,5 bilhões por ano na prevenção da doença, "cifra modesta, pois corresponde a apenas 0,03% do que se gasta em defesa e equivale ao que se investe atualmente contra a malária". Em 1991, último ano em que há dados completos, o investimento na prevenção da AIDS foi de apenas US$120 milhões, bem aquém, portanto, do necessário pelas contas da OMS (FSP).