RECESSÃO MUDA RELAÇÃO TRABALHADOR E EMPRESA

A recessão econômica dos anos 90 modificou a relação entre trabalhadores e empresários. O ano passado registrou o menor número de greves desde 1985. Cada vez mais, líderes sindicais e donos de empresas encontram-se pacificamente em rodadas de negociações. A calmaria foi conseguida à custa do medo do desemprego e do arrocho salarial. Quando as greves acontecem nas empresas, são mais curtas e envolvem um número menor de operários. De 1989 a 1992, segundo dados do DIEESE, o número de pessoas sem trabalho na região metropolitana de São Paulo triplicou de 473 mil para 1,1 milhão. No mesmo período, a quantidade de horas paradas em consequência de greves ficou reduzida a 10% (1,2 bilhão de horas, em 89, e apenas 140 milhões, em 92). "Na recessão é natural que haja uma diminuição da greve como principal instrumento de ação sindical", afirma Antônio Prado, coordenador de produção técnica do DIEESE. Uma das razões para a redução do número de horas paradas em 92 foi o acordo no setor automobilístico. Sem nenhuma paralisação, os metalúrgicos do ABC paulista conseguiram a recuperação salarial dos últimos dois anos e reajustes mensais. Graças ao acordo, a Autolatina ("holding" da Ford e da Volkswagen), que detém 55% do mercado automobilístico brasileiro, conseguiu fechar o ano sem nenhuma demissão (JB).