A MIGRAÇÃO NO DISTRITO FEDERAL

O garimpeiro Ivan dos Santos Mota, 40 anos, quer "virar bandido, traficante, e atacar em Brasília, onde a renda per capita é mais alta". Ele é uma das 650 pessoas que estavam alojadas no CAS (Centro de Atendimento Social)-- albergue para migrantes-- do Distrito Federal na semana passada, tentando a sorte em Brasília. Após 15 dias sem conseguir emprego, ele aguardava uma passagem de ônibus do governo do DF para procurar trabalho em outra cidade. Mota se diz "marginalizado". É solteiro, tem "quatro filhos pelo mundo" e veio sozinho de Mato Grosso, expulso pelo governo, que, segundo ele, permite apenas a grandes empresas trabalhar com mineração. Ele é um dos 5.745 migrantes recolhidos ao CAS em 1992. O DF tem sido considerado um dos novos pólos receptores de migrantes. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, o número de migrantes, por região, é o seguinte: 1991-- Norte (846,11%), Nordeste (3.242, 43%), Sudeste (1.500, 20%), Sul (194, 3%) e Centro-Oeste (1.770, 23%). Total (7.552). 1992-- Norte (576, 10%), Nordeste (6.731, 48%), Sudeste (1.063, 19%), Sul (314, 5%) e Centro-Oeste (1.061, 18%). Total (5.745) (FSP).