O governo não atendeu aos apelos dos trabalhadores e decidiu propor, no projeto de lei de rolagem das dívidas de estados e municípios, enviado ao Congresso Nacional no último dia 28, a rolagem por 20 anos, sem qualquer pagamento à vista, dos Cr$25 trilhões devidos ao FGTS. Para entidades representantes de trabalhadores, como a CUT e o Fórum Nacional da Habitação, que reúne mais de 40 entidades da sociedade civil, o governo está usando dois pesos e duas medidas. Enquanto se prepara para pedir aos donos do FGTS-- os trabalhadores-- que façam o sacrifício de não sacar seus saldos liberados por lei a partir de maio, porque o Fundo não tem recursos, propõe ao Congresso que conceda aos devedores condições extraordinárias para pagar suas dívidas. É um absurdo. Com que autoridade o governo vai pedir mais esse
72148 sacrifício aos trabalhadores?, protestou o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), coordenador do Fórum no Congresso Nacional. Segundo ele, a proposta de rolagem é ainda mais injusta, por não discriminar entre dívidas vencidas e a vencer. O Fórum entende que o projeto estimula o não cumprimento das obrigações para com o FGTS, na certeza de que no futuro as dívida poderão ser roladas em condições privilegiadas. O FGTS, de acordo com o deputado, precisaria imediatamente de Cr$20 trilhões, para retomar a construção de 350 mil casas populares que estão com as obras paradas e se deteriorando em todo o país. Ele lembra ainda o aumento de custo e o desemprego que resultam da paralisação das obras (O Globo).