O ministro do Trabalho, Walter Barelli, acredita que, para combater a miséria absoluta e o desemprego crônico, não bastam medidas anti- recessivas tradicionais nem dá para esperar que o combate à inflação produza resultados. Para ele, é necessário atuar imediatamente sobre a população marginalizada das periferias das grandes metrópoles, das capitais mais pobres e do meio rural. É com esse objetivo que o governo quer estimular a formação de cooperativas de serviços e de produção de bens para dar trabalho a pelo menos uma parcela da população desempregada. Esse programa não é para o horizonte de um governo de dois anos, é para
72144 o longo prazo, diz o ministro. Por isso, os Ministério do Trabalho e da Integração Regional estão apoiando a introdução no país do mais bem- sucedido plano do gênero no mundo, o Programa de Geração de Emprego e Recuperação de Renda, desenvolvido em países do Terceiro Mundo pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O programa, de acordo com Barelli, é de baixo custo e não cria nenhuma grande estrutura burocrática. Consiste em ensinar a população marginalizada do mercado de trabalho a se organizar em cooperativas ou criar, individualmente, meios próprios para a sobrevivência. Barelli e o representante da FAO no Brasil, Aldenir Paraguassu, dizem que esta é hoje a única forma viável de se chegar até a essa população e restaurar-lhe a cidadania, aviltada pelo desemprego. Igreja, governos estaduais e movimentos popular e sindical apostam cada vez mais em associações e cooperativas rurais para manter o trabalhador no campo e combater o desemprego nos centros urbanos. Existem hoje 12 mil experiências no país, segundos dados que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) obteve da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) (O ESP).