MALUF DESERDA OS DIREITOS HUMANOS EM SP

Os militantes dos movimentos de defesa da cidadania e dos direitos humanos de São Paulo, que transitavam com desenvoltura e prestígio em torno da prefeita Luiza Erundina (PT), perderam espaço com seu sucessor, Paulo Maluf (PDS). Nas primeiras semanas de sua administração, o prefeito congelou assessorias, conselhos e comissões que se dedicavam, com apoio oficial, à luta contra a discriminação e a violência. Negros, mulheres, deficientes, idosos, índios e familiares de desaparecidos políticos afastaram-se definitivamente da prefeitura ou adotaram uma posição estrategicamente defensiva, à espera da definição dos novos rumos da política municipal. "Com Maluf não tem conversa", diz Ivan Seixas, um dos ativistas da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, que está enfrentando dificuldades para levar adiante a identificação das 1.049 ossadas descobertas, em setembro de 1990, numa vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus. Desmoronou toda a estrutura montada por Erundina, lamenta Suzana Lisboa, também membro da Comissão, cujos trabalhos estão agora na dependência de um convênio com o governo estadual, para garantir as investigações. O governador Luiz Antônio Fleury (PMDB) assegurou à direção do PT o apoio do estado para identificar todas as vítimas da repressão, mas não formalizou o compromisso. Os militantes da Comissão estão convecidos de que o prefeito não tem interesse em investigar as valas clandestinas de Perus. "Foi o Maluf quem inaugurou o cemitério para o sepultamento das vítimas do regime militar", alega Ivan Seixas, cujo pai, Joaquim Alencar de Seixas, assassinado nos porões da ditadura, foi o primeiro preso político a ser enterrado no cemitério, em abril de 1971 (JB).