A suposta chegada em massa de trabalhadores brasileiros ao Uruguai abriu uma polêmica sobre os desequilíbrios da oferta de mão-de-obra nos dois países, que caminham para um processo de integração através do MERCOSUL. Temos duas realidades: por um lado, o processo do MERCOSUL, que liberaliza
72140 o fluxo de mão-de-obra entre nossos países, e por outro lado, as
72140 reclamações internas de um maior controle, disse, ontem, o inspetor-geral do Trabalho do Uruguai, Pablo Iturralde. Ele acrescentou que, diante das duas realidades, "o que podemos fazer é exercer um controle, para que a contratação de mão-de-obra estrangeira se faça de acordo com as leis em vigor: que cada trabalhador tenha carteira de saúde, permissão de migração e que lhes seja pago salário igual aos dos trabalhadores uruguaios". O Sindicato da Construção e o Centro Latino-Americano de Desenvolvimento Empresarial e Humano fizeram, esta semana, denúncias públicas sobre a suposta chegada em massa de mão-de-obra brasileira pouco qualificada e muito barata à região Leste do Uruguai. Juan Olivera, dirigente do Sindicato da Construção, disse que "entre dezembro e janeiro, foram demitidos mais de 1,8 mil trabalhadores uruguaios, que exerciam funções na construção civil em Maldonado, Punta del Este e, de acordo com as inspeções realizadas pelo sindicato, há mais de 300 brasileiros trabalhando naquela área". Por sua vez, Mario Marenco, diretor do Centro Latino-Americano de Desenvolvimento Empresarial, preveniu o governo do presidente Luis Alberto Lacalle, em documento público divulgado ontem, que deve encarar uma política negociadora agressiva em relação a seus sócios no MERCOSUL, para defender as fontes trabalhistas e as empresas locais (JC).