O resultado do IPM (Inquérito Policial Militar) sobre o massacre de presos na Casa de Detenção de São Paulo, que não apontou nenhum culpado entre os policiais envolvidos, provocou indignação nas entidades de defesa dos direitos humanos. O presidente em exercício da Comissão de Direitos Humanos da seção paulista da OAB, Ricardo Carrara Neto, disse não ter ficado surpreso com o relatório, pois não é comum os integrantes de IPMs indiciarem colegas. "As investigações não deveriam ser exclusivamente dirigidas por policiais militares, porque são sempre corporativistas, privilegiando os policiais", disse. Ele considera que, se houver fortes indícios de arbitrariedade cometidas pelos policiais, a Justiça poderá determinar a revisão do PIB pelo comando da corporação. A Comissão de Justiça e Paz, ligada à Arquidiocese de São Paulo, também deplorou o resultado do inquérito. "É revoltante. As interpretações são conforme o interesse dos envolvidos. Daqui a pouco vão dizer que os mortos foram culpados pelo massacre", afirmou Margarida Genevois, uma das diretoras da Comissão (O Globo) (JB).