MOVIMENTO CONTRA O SEPARATIVISMO

O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), afirmou ontem que o "germe separatista" crescerá no país caso não seja corrigida a representação dos estados na Câmara dos Deputados. Segundo Fleury, já existem no interior de São Paulo movimentos municipais contrários ao pagamento de impostos federais. "Corrigir as distorções será uma vacina contra o separatismo", insistiu. Fleury promoveu ontem no Palácio dos Bandeirantes um ato a favor do "pacto federativo", nome dado à correção da proporcionalidade na representação dos estados na Câmara. Os discursos repetiram o argumento de que, atualmente, um voto do Norte ou do Centro-Oeste pode valer até 30 vezes mais do que um voto paulista. Isso porque os estados menos populosos têm direito a oito deputados, enquanto São Paulo tem 60. O manifesto também sustentou que há "riscos e tentações separatistas embutidos na preservação do atual modelo". Durante toda a manifestação-- da qual participaram representantes dos principais partidos, do empresariado, das centrais sindicais, Poder Judiciário, prefeitos, movimento estudantil e professores universitários- - houve Grande esforço para afastar a imagem de que a defesa da proporcionalidade seja iniciativa exclusivamente paulista. "Não vamos fazer disso uma guerra regional", disse o ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso. "Não queremos reviver o regionalismo, mas dar maior legitimidade ao Congresso Nacional", afirmou o presidente do Tribunal de Justiça, Odyr Porto. "É uma questão do povo brasileiro, não só de São Paulo", acrescentou o presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva (FSP).