GOVERNO DISCUTE PLANO ECONÔMICO COM A ARGENTINA

O mercado recebeu ontem a informação, divulgada pela consultoria Macrométrica, de que o ministro da Fazenda, Paulo Haddad, estuda a inclusão em seu plano de experiências adotadas na Argentina, como a flutuação do câmbio. Num jantar em dezembro com seu colega argentino, Domingo Cavallo (Economia), Haddad apresentou esboço do plano. Na ocasião, o jornal argentino "Ámbito Financiero" disse que Haddad atribuía a inflação à emissão de moeda para comprar os dólares do superávit comercial. Haddad negou que vá adotar idéias argentinas. No último dia 28, porém, o secretário-geral do Ministério da Economia argentino, Horácio Liende, esteve em Brasília (DF) com membros do governo. Em nota oficial divulgada ontem, o presidente Itamar Franco nega que tenha dado ordem para que o governo aumente a taxa de juros. A nota confronta as afirmações do ministro Haddad, de que o presidente havia dado sinal verde para a utilização das taxas de juro no combate à inflação. A nota afirma que o presidente "está absolutamente convencido de que os juros altos provocam recessão e desemprego". Haddad considera, no entanto, que uma alta nas taxas de juro nesses momento é um ajuste técnico para evitar uma taxa negativa (abaixo da inflação) e a fuga dos investimentos para ativos de risco (ouro e dólar), que provocaria mais inflação. Antes da reação do presidente, o Banco Central elevara em 0,42 ponto percentual a taxa de juros do "overnight" e surpreendeu o mercado fixando em 27,2% a Taxa Referencial (TR) de fevereiro, enquanto a expectativa era de 26% (FSP) (O Globo).