O novo sistema de inteligência do governo Itamar Franco poderá ser muito semelhante ao extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). O presidente, que ontem se reuniu pela primeira vez com o Alto Comando das Forças Armadas, tem dado sinais de aprovação a um projeto do Ministério do Exército para a área de informações. Segundo um oficial que trabalha no QG de Brasília (DF), está sendo proposta a recriação das Divisões de Segurança Interna (DSIs) em todos os ministérios, mesmo os civis, além de órgãos para avaliação de informações. Segundo o oficial, Itamar acha que a recriação das DSIs poderá lhe dar, via um circuito interno e privilegiado, condições de intervir para evitar atos de corrupção no governo. Desativado no governo Collor, o SNI com mais de dois mil agentes empregados, continuou atuante em inúmeras áreas administrativas. Nos ministérios militares, por exemplo, as assessorias de informação não foram desmontadas. Durante a reunião com o Alto Comando também foi discutida a criação do Ministério da Defesa e a participação das Forças Armadas nos programas sociais de combate à miséria e à pobreza, como a distribuição e fiscalização de alimentos. As defasagens salariais e a necessidade de dar prosseguimento à implantação do projeto de isonomia entre os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) também entrou na pauta. Todos os ministros fizeram um balanço de suas pastas, e entre todos houve um consenso: as Forças Armadas não devem ser empregadas para o combate ao tráfico de drogas porque isto não está previsto na Constituição. O presidente quer que os Tiros de Guerra (postos militares avançados) sejam voltados para o trabalho social, o que, na opinião dos militares, demandaria mais recursos. Itamar pediu aos militares que se envolvam em projetos como saneamento básico e habitação popular, um trabalho a ser realizado junto com o Ministério do Bem-Estar Social. O Projeto Calha Norte, o reforço das fronteiras do Norte do país e a transferência de unidades do Sul para a Amazônia foram ressaltados pelo ministro do Exército, Zenildo Zoroastro. Segundo ele, a ameaça ao país hoje, não vem mais do Sul, como acontecia anteriormente, mas do Norte, onde as fronteiras são pouco habitadas e fiscalizadas. Em relação ao Ministério da Defesa, há unanimidade por parte dos ministros militares de que ele deverá surgir, com o tempo, principalmente se for implantado o sistema parlamentarista no Brasil. O Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) é considerado um embrião deste Ministério. Mas o maior temor, principalmente entre o pessoal da Marinha e da Aeronáutica, é de que haja uma preponderância do Exército (O ESP) (FSP).