Um dia depois de aprovada pela Câmara dos Deputados, a lei de privatização e modernização dos portos, os trabalhadores dos principais portos do país paralisaram suas operações. Enquanto os empresários saudavam a aprovação da lei, os portuários prometiam resistir às propostas consagradas pela lei e estender a greve até que o presidente Itamar Franco as vete. O ministro dos Transportes, Alberto Goldman, disse, no entanto, que o governo recorrerá à Justiça para garantir o funcionamento dos portos caso não haja acordo. Ele informou que pretende manter "entendimentos políticos" com os portuários, para fazê-los entender que a modernização dos portos não "promoverá um massacre na relação capital/trabalho". O ministro do Trabalho, Walter Barelli, porém, garantiu que o governo não vai intervir nos portos por causa da greve, como está pedindo o presidente da Confederação Nacional de Transportes, Clésio Andrade. Intervenção é repressão; é uma palavra feia e não combina com governo Itamar". O ministro garantiu que os trabalhadores não serão prejudicados com a implantação da nova legislação. Segundo ele, todos os benefícios que os portuários consideram imprescindíveis poderão ser incluídos em um acordo coletivo de trabalho, resultante de entendimento entre empregadores e empregados (O ESP).