O serviço secreto da Rússia publicou seu primeiro "livro branco" sobre proliferação de armas de destruição massiva, que cita o Brasil, a Argentina e o Chile entre os países que possuem ou poderão vir a produzir este tipo de armamento. O relatório, divulgado pelo chefe do serviço de inteligência russo (ex-KGB), Evgueni Primvakov, afirma que o Brasil possui recursos e um programa avançado para produzir estas armas. A lista faz análise de 16 países do Terceiro Mundo-- 13 da Ásia e África, além dos três latino-americanos-- e afirma que o grande risco é o de que materiais de tal periculosidade caiam nas mãos de mafiosos e terroristas. O "livro branco" conclui que a proliferação de armas de destruição em massa-- nucleares, químicas ou biológicas-- constituem o mais grave risco para a humanidade desde o fim da Guerra Fria. "Ante a instabilidade política em que vive o mundo, pode surgir um novo tipo de terrorismo que faça uso destes armamentos", disse Primvakov. A situação dos países latino-americanos é a seguinte: BRASIL-- Dispõe de recursos para produzir armas (de destruição em massa) e tem um programa avançado de pesquisas neste campo. Faltam dados sobre a presença de armas nucleares no país. ARGENTINA-- Não se pode confirmar que dispõe de armas nucleares, mas realiza um programa de desenvolvimento militar. O míssil Condor-I tem capacidade para alcançar as ilhas Malvinas e poderia ser equipado com ogiva nuclear. CHILE-- Não demonstra desejo de possuir armas químicas, embora as tenha fabricado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973/90), provavelmente como contraponto ao programa nuclear da Argentina. De acordo com o informe, a Índia, o Paquistão e Israel são classificados como países "extra-oficialmente possuidores de armamento nuclear". O Irã e o Iraque têm programas de pesquisa, mas não armas, dizem os especialistas russos. Também a Coréia do Sul teria programas nucleares e uma técnica bastante avançada (JB) (O Globo).