IPM NÃO APONTA CULPADOS PELO MASSACRE DE 111 PRESOS

O Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado para apurar o massacre na Casa de Detenção de São Paulo no dia dois de outubro do ano passado foi concluído ontem e não aponta nenhum responsável pela a ação militar que resultou na morte de 111 presos. Mesmo admitindo que houve "excesso" por parte da polícia, o presidente do inquérito, coronel Luis Gonzaga de Oliveira, disse que não foi possível individualizar os responsáveis "por falta de provas que mostrem quem atirou em quem". O relatório também não entra em detalhes sobre as circunstâncias da tragédia. A prova material a que o coronel se refere é o exame de balística do Instituto de Criminalística que demonstraria que um preso foi morto com a arma de tal policial. "Não foi possível a realização do exame porque o IC nos informou que ele levaria 76 anos. Foram apreendidas mais de 300 armas", justificou Oliveira. O coronel citou, sem indiciar, 71 policiais militares, entre eles alguns comandantes, que admitiram ter atirado no pavilhão 9. Ele transferiu para o Ministério Público a decisão de indiciar ou não os responsáveis. Oliveira disse que não seria possível fazer o exame de balística nas armas dos 71 policiais que atiraram-- número muito inferior às 386 armas apreendidas. O promotor Luiz Roque Lombardo Barbosa, que acompanhou o IPM, afirmou que o relatório apresentado ontem não irá alterar sua decisão de denunciar por homicídio doloso e tentativa de homicídio cerca de 100 policiais, incluindo oficiais. "Provavelmente denunciarei o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães", disse Barbosa. Faz quatro meses que começaram as investigações sobre o massacre e ninguém foi ainda responsabilizado. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para apurar os fatos, concluída no dia quatro de dezembro último, não apontou culpados e também considerou que houve "excesso". No próximo dia 1o. de fevereiro deve ser concluído o terceiro inquérito, o da Polícia Civil. O presidente do IPM, coronel Luis Gonzaga de Oliveira, passa hoje para a reserva e assume a chefia da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, a convite do prefeito Paulo Maluf (PDS) (FSP) (JB).