Antes mesmo de o presidente Itamar Franco sancionar o projeto de lei de regulamentação do plebiscito de 21 de abril sobre forma e sistema de governo, os parlamentaristas querem mudar o horário da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão aprovado pelo Congresso Nacional. O presidente da Frente Parlamentarista Ulysses Guimarães, senador José Richa (PSDB-PR), anunciou ontem que vai apresentar uma proposta a presidencialistas e monarquistas para diminuir o tempo de duração da campanha no rádio e na televisão, de 60 dias para 45 dias. Os parlamentaristas querem reduzir também a duração dos dois blocos diários de propaganda de cada frente, de 10 minutos para seis minutos. Como compensação, pretendem reivindicar das emissoras de rádio e TV que o início da campanha seja em 10 de fevereiro, e não no dia 19, como determina o projeto de lei. Eles querem ainda obter a possibilidade de que cada frente possa inserir anúncios institucionais de 30 segundos a 60 segundos entre 7 e 13 horas e entre 18 e 24 horas, com a duração total de oito minutos por dia. "Nosso objetivo é tornar menos cansativo e mais eficiente o horário de propaganda", explicou Richa. As chances de os parlamentaristas conseguirem um acordo com as outras frentes são, no entanto, bastante remotas. O senador Marco Maciel (PFL- PE), coordenador da Frente Presidencialista, disse não ter nada a opor à redução de 60 para 45 dias, já defendida pelos presidencialistas no Senado, mas exige a destinação de um tempo para propaganda específica da República. Por uma questão de estratégia, ele é contra a antecipação do início da campanha no rádio e na TV. "Seríamos prejudicados, porque os parlamentaristas estão muito na frente na preparação das peças publicitárias", disse. Os monarquistas também condenam a proposta, por não aceitarem a redução de 15 dias no horário de propaganda eleitoral. "Eles querem sonegar a informação ao povo brasileiro", reagiu o deputado Cunha Bueno (PDS-SP), líder do movimento monarquista (O ESP).