A CUT (Central Única dos Trabalhadores) vai colocar cerca de dois milhões de trabalhadores para fiscalizar o recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Ontem, o representante da central no Conselho Curador do Fundo, Douglas Braga, anunciou campanha que envolverá, além da fiscalização dos créditos, pesquisa nas bases metalúrgica, química, petroquímica, bancária e de trabalhadores ligados à indústria de vestuário para detectar irregularidades no sistema. Cada trabalhador pesquisado receberá cartilha explicativa para se tornar fiscal da sua própria conta. Sindicatos serão instruídos a investigar as irregularidades e acionar judicialmente os responsáveis. A CUT está cumprindo sua parte. Os trabalhadores iniciam com isso um
72076 processo de moralização na captação dos recursos, com o objetivo de
72076 dobrar a arrecadação, disse Braga. Ele informou que 74% das empresas recolhem o FGTS de forma irregular. Dessas, 53% não recolhem nada. A CUT vai cobrar agora a parte do governo no gerenciamento e destinação do dinheiro. No caso do gerenciamento, Braga já tem resposta pronta para a idéia do governo de negociar com trabalhadores formas de administrar o rombo do sistema. Ele quer que a União cobre a dívida de estados e municípios com o fundo, estimada em cerca de Cr$25 trilhões. Os prazos poderiam ser negociados, mas dentro de "critérios razoáveis". Quanto à destinação dos recursos do FGTS, a CUT exige do governo que seja banida a utilização de verbas para fins "políticos e clientelistas". Na prática, segundo Braga, isso significaria respeitar as resoluções do Conselho Curador, integrado pelo governo, trabalhadores e empresários (O ESP).