AGENDA POLÍTICA BRASILEIRA ATRASA MERCOSUL

O calendário político brasileiro pode se transformar em uma nova dificuldade para a instauração do livre comércio no sul do continente dentro do prazo estabelecido: 1o. de janeiro de 1995. A análise é de técnicos do Ministério do Planejamento, encarregados de dar suporte aos subgrupos de negociação do MERCOSUL, para os quais a carregada agenda política até o final de 1994 pode provocar atrasos do lado brasileiro, muito embora o Itamaraty continue afirmando o contrário. Os trabalhos já foram afetados pela crise política que se arrastou por quase todo ano passado e terminou com o afastamento de Fernando Collor. Com a mudança de governo, a composição de alguns grupos de trabalho também foi alterada, até mesmo pela reforma administrativa decretada por Itamar Franco. Nos bastidores do MERCOSUL, é folclórico o caso de um burocrata do antigo Ministério do Trabalho e Previdência Social, que, com sua divisão, acabou lotado no antigo Ministério do Trabalho e levou com ele todas as atas do subgrupo pelo qual era responsável, os quais ainda hoje se recusa a devolver. Até abril, os técnicos acreditam que o país estará mergulhado no plebiscito que vai determinar o regime e forma de governo. Depois disso, entra fundo na revisão constitucional. Mas, complicado mesmo, deve ser 1994, quando todo o aparelho do Estado vai se envolver nas eleições para presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores dos estados. Uma curiosidade: o presidente eleito em 1994 deve tomar posse justamente no dia marcado para a quebra das barreiras no Cone Sul. Livre trânsito-- Um dos grupos mais atrasados é o que trata das questões sociais-- trabalhistas, de emprego e de seguridade-- até mesmo porque foi um dos últimos a ser constituído. Mas a grande preocupação dos técnicos é com a aparente indecisão política dos governos no trato com a livre movimentação de pessoas nos quatro países, pressuposto básico para a integração. A Argentina, por exemplo, já convive com cerca de 1,5 milhão de paraguaios na grande Buenos Aires, agregados à economia informal (Relatório Reservado no. 1348).