Com investimentos de US$200 mil, a partir de junho próximo, um consórcio de empresas privadas, prefeituras municipais do Rio Grande do Sul e o governo do Uruguai vão instalar em Porto Alegre (RS) e Porto Palmira (Uruguai) o primeiro passo para a formação de um acordo mineral dos países do MERCOSUL. Trata-se da criação do Centro de Comércio Mineral (Merco-Mineral), que terá entrepostos e portos secos nas cidades de Livramento e Uruguaiana. Segundo o ex-diretor da CPRM, Edson Suzinsky, atual consultor privado do projeto, o Merco-Mineral pretende estabelecer o intercâmbio de matérias- primas para a indústria química, siderúrgica e metalúrgica. Serão oferecidos produtos do Brasil e vice-versa do Uruguai, Argentina e Paraguai, com a adesão de empresas do Chile. Haverá, segundo ele, a padronização dos produtos, acordos de preços e amostras. A previsão de comércio entre todos esses países é de US$1 bilhão por ano, já que a Argentina vende ao Brasil a diatomita mineral (usada na indústria de refrigerantes), o sulfato de alumínio, a ziolita (mineral industrial), sais de baro, salgema, potássio e um cimento silicoso denominado de pertita. Do Chile viriam, pelo Centro de Comércio Mineral, importações de salitre, cobre e outros minerais especializados para o Cone Sul. Do Uruguai, Suzinsky informou que o Brasil está estudando o aproveitamento da jazida de minerais de ferro da Província de Valentine (reserva de 30 milhões a 40 milhões de toneladas), a importação de ametista especial, a montagem de empresas consorciadas com outros grupos do Uruguai e Argentina para a extração de mármore e granitos e jazidas de "Coridon", um mineral especial para a indústria de esmeril. O Brasil por sua vez poderia exportar um leque de produtos para a indústria metalúrgica e siderúrgica da Argentina e do Uruguai. Segundo o executivo, em Porto Palmira, porto livre, no momento está sendo montado, com o apoio de grupos siderúrgicos japoneses e alemães, um novo "Pólo Siderúrgico do Cone Sul" (GM).