ITAMAR ADVERTE ERUNDINA E YEDA QUER MUDAR PRIVATIZAÇÕES

Antes mesmo de tomar posse, a ministra-chefe da Secretaria da Administração, Luiza Erundina, foi ameaçada de demissão pelo presidente Itamar Franco. Irritado com declarações de Erundina, que no dia 23 afirmou ser "candidata natural" ao governo paulista na eleição de 94, Itamar avisou ontem que "qualquer ministro que desejar ser candidato, que o seja, porém, fora do governo". Em nota distribuída pela RADIOBRÁS, o presidente afirma que não vai tolerar que seus ministros usem os cargos para lançar agora futuras candidaturas. O episódio complicou mais a situação de Erundina dentro do PT. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), um dos únicos líderes partidários a defender a entrada da ex-prefeita de São Paulo no governo, apoiou a nota de Itamar. Entre os dirigentes, a saída de Erundina é dada como inevitável. Eles avaliam, no entanto, que a expulsão pode causar desgaste aos petistas. Em entrevista no último dia 23, a futura ministra-chefe da Secretaria de Administração disse que recebeu carta branca do presidente Itamar Franco e anunciou que pretende promover reforma na máquina do Estado. Ela voltou a defender o fim da estabilidade para os servidores públicos, prometendo um plano de carreira. A futura ministra do Planejamento, Yeda Crusius, defendeu ontem mudanças no programa de privatização. Segundo ela, o governo deveria exigir dos candidatos à compra das empresas estatais um projeto voltado para o aumento da produtividade. Dessa forma, acredita, estaria garantida a modernização do parque industrial brasileiro. Yeda, que tomará posse no próximo dia 28, também se mostrou Indignada" com os reajustes abusivos nos preços de remédios e alimentos. Em sua opinião, o Estado deve coordenar a liberdade de mercado, para evitar aumentos exagerados (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).