A taxa de fertilidade da mulher brasileira caiu vertiginosamente em três décadas. Nos anos 60, era de 6,28 filhos por família. Hoje, está em três filhos-- índice típico de países do Primeiro Mundo. Os dados constam do Censo 91 do IBGE. Com a redução da fertilidade, a taxa de crescimento da população caiu para 1,93%, perto da Austrália (1,4%) e do Canadá (1%). As causas do fenômeno, porém, são terceiro-mundistas: urbanização rápida e crise econômica. Para as feministas, a notícia não é boa. "A taxa esconde a esterilização em massa", lamenda a senadora Eva Blay (PSDB- SP). "Fizemos em 30 anos o que os países da Europa levaram um século", critica a demógrafa Letícia Costa. A queda brusca da fecundidade no Brasil nas duas últimas décadas foi analisada pela Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD/IBGE), em 1986, sobre métodos anticonceptivos. Foram entrevistadas 37 milhões de mulheres entre 15 e 54 anos de todas as regiões do país. Das entrevistadas, 22% estavam utilizando métodos anticonceptivos. A pílula era usada por seis milhões de mulheres (16,2%) e a tabela por 2,5% das mulheres. Do total de mulheres em idade fértil, 5,9 milhões (16%) não utilizavam nenhum método porque tinham sido voluntariamente esterilizadas. Do total de mulheres que se esterilizaram, 61% tomaram a decisão entre 25 e 34 anos. Embora o Ministério da Saúde tenha intensificado seu programa de planejamento familiar a partir de 1988, para cumprir o Artigo 226 da Constituição, apenas 30% da população em idade fértil têm acesso ao material anticonceptivo distribuído na rede pública. No ano passado, o Ministério da Saúde repassou a estados e municípios nove milhões de cartelas de pílulas anticoncepcionais, 12 milhões de preservativos (camisinhas), 81 mil diafragmas, 489 mil tubos de geléias espermicidas e 474 mil DIUs. Esse material, no entanto, não é suficiente para atender à demanda de 38 milhões de mulheres brasileiras em idade fértil que procuram algum tipo de método de contracepção. O Ministério da Saúde condena a prática de esterilização ou aborto como método anticonceptivo (JB).