MAIOR TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA COM EMPRESAS ARGENTINAS

O Ministério da Ciência e Tecnologia planeja intensificar neste ano as parcerias entre empresas e institutos de pesquisa brasileiros e argentinos no setor biotecnologia, financiando o desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos que resultem na transferência de "know-how" para o setor privado dos dois países. Esse intercâmbio, nos últimos anos dificultado pelas diferenças de legislação e normas de ambos os países, é uma das prioridades atuais do Centro Argentino-Brasileiro de Biotecnologia (CABBIO), organismo bilateral criado em 1985 para incentivar o aproveitamento das potencialidades do mercado de biotecnologia do Cone Sul, voltando seus esforços para o desenvolvimento de técnicas e produtos biotecológicos aplicados às características regionais da agropecuária, saúde humana e proteção ambiental. O CABBIO já formou 600 brasileiros e argentinos em cursos de
71986 especialização em biotecnologia nos dois países, além de ter financiado
71986 16 projetos de pesquisa bilaterais, informa Jorge Almeida Guimarães, diretor do CNPq e vice-diretor do CABBIO. Com orçamento brasileiro previsto em US$1 milhão para este ano, além de mais US$1,6 milhão que deverá ser liberado pelo governo argentino, o CABBIO está avaliando mais oito projetos de pesquisa, que deverão ser aprovados neste ano, a exemplo do que ocorreu com o trabalho científico conjunto Brasil-Argentina que culminou na transferência de tecnologia de produção de batatas-sementes livres de vírus para a Agroceres. "Estamos agora estudando a viabilidade de transferir para o setor privado da Argentina o "know-how" de criação de camarões de água salgada em cativeiro, a partir do projeto desenvolvido pela Universidade Federal da Bahia junto com a Universidade de Bahía Blanca, na Argentina", anuncia Guimarães, para quem "o CABBIO está servindo de modelo de interação para o MERCOSUL". A parceria entre empresas vem sendo considerada a principal ferramenta para o crescimento do mercado mundial de biotecnologia, principalmente da biotecnologia moderna, voltada para a aplicação de técnicas de ponta, como a engenharia genética. Uma recente pesquisa com 422 companhias de biotecnologia dos EUA indicou
71986 que, em média, as pequenas empresas estão envolvidas em três alianças
71986 estratégicas; enquanto as grandes participam de nove, a maior parte com
71986 europeus, conta a pesquisadora Marília Bernardes Marques, do Núcleo de Estudos em Ciência e Tecnologia da FIOCRUZ. Para a adaptação desse modelo ao MERCOSUL, opina Marília, é preciso enfrentar barreiras como a falta de infra-estrutura, de mão-de-obra e de mecanismos de regulamentação e proteção dos mercados domésticos, fatores que colocam em risco a transferência de tecnologia. "As parcerias precisam ser muito bem avaliadas para evitar o risco de desaparecimento das pequenas e médias empresas de biotecnologia", adverte a pesquisadora (GM).